2002_Fernando Oliva

Teresa Viana

Texto publicado no catálogo da exposição no CEUMA-USP, Centro Universitário Maria Antonia da Universidade de São Paulo.
 


Teresa Viana sempre se deixou conduzir pelo gesto. Conforme eles se alargavam, suas pinturas de grossas massas de tinta iam ganhando inesperada corporeidade. É este confronto entre a matéria e o espaço que agora assume novas configurações. No painel de 20 metros de comprimento instalado no Centro Universitário Mariantonia, ocupando os 3 metros do pé-direito de cima a baixo, a artista usa as técnicas do recorte e da "colagem" – no caso, sobreposição de placas de cor.

A partir de entretelas tingidas, que ela ataca com tesoura, surgem pedaços de variadas dimensões e formatos, então grampeado sobre uma grande superfície, operação que inclui altas doses de imprevisibilidade. Como em uma larga pincelada no plano, cada um destes fragmentos coloridos guarda a marca de uma ação da artista, de seu corpo e do movimento que dá à cor seu lugar no mundo.

Teresa nunca perde de vista a gramática particular da pintura nem deixa de acreditar em seu poder de sedução. Nestas assemblages sintéticas, a cor engendra a forma, como também acontece em seus quadros.

Tensas, as cores surgem e se movimentam para todos os lados, fazendo-se presentes para organizar a tela, que em instantes volta a se desestabilizar por completo, retomando sua busca incessante.

Esta convulsão criada pela artista na superfície infinita a nossa frente, vertigem na qual o espectador se vê envolvido, também é, para Teresa Viana, um manifesto de crença no poder da cor e da pintura.