Artista plástica Teresa Viana apresenta 14 novas obras criadas a partir de bolsa nos EUA.

Apesar de não tocar nenhum instrumento musical, a artista plástica Teresa Viana faz improvisações de jazz. Só que, em vez de sonoras, são visuais. “É como se as cores com as quais trabalho fossem notas musicais. Em meu processo de criação, busco um movimento entre elas, como se estivesse compondo um jazz”, conta a artista, durante a montagem de sua exposição.

As 14 telas que Viana apresenta, a partir de hoje, na galeria Baró Senna, remetem de fato o uma certa musicalidade. As cores elemento básico de suas obras, são materializadas de forma a criar intensidades variadas e livres, como no jazz.

No entanto quem observar atentamente essas telas de forma cronológica, das mais antigas para as recentes, vai perceber que não só sonoras as evocações provocadas. Afinal de contas, falamos de artes visuais. A matéria-prima, tintas desenvolvidas especialmente pela artista, ganham volume e vão se distanciando da tela. Em alguns casos, mais de cinco centímetros, que dão a impressão de compor paisagens imaginárias.

“De fato, a questão do volume começou a me interessar muito, é como se buscasse chegar com a tinta até meus olhos”, afirma.

Todo o conjunto da mostra foi realizado em menos de dois meses, graças a uma bolsa de pesquisa da fundação norte-americana Pollock-Krasner. “É ótimo poder ter dedicação exclusiva. Ganhei a bolsa em julho e fui para Nova York em agosto. Quando voltei, pintei sem parar, compulsivamente”, diz.

Em Nova York, Viana nutriu-se dos clássicos da história da pintura nos museus da cidade. “Estudei os modernos, pois eles tinham uma pesquisa sobre o olhar que hoje não é mais feita, tudo é mediado pela mídia. Busco seguir essa forma direta de direcionar o olhar”, explica.

A relação da obra de Viana com pintores modernos já foi analisada pelo crítico Tadeu Chiarelli. “A cor (nas telas de Viana) nos remete a um Monet deslumbrado pela cor tropical, enquanto as camadas espessas de tinta aludem a uma pintura brutalista repentinamente rediviva. Suas obras parecem caminhar por uma corda bamba, estabelecendo uma concomitância precária entre aquelas duas tendências tão excludentes”, escreveu Chiarelli no livro “Arte Internacional Brasileira”.

O lirismo da obra de Viana só é quebrado pelo forte cheiro de terebentina que as telas soltam. “É a intensidade do frescor”, justifica Teresa Viana.

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2001_Fabio Cypriano

No improviso das cores

Texto publicado no jornal Folha de São Paulo, na inauguração da exposição individual na galeria Baró Senna, SP